domingo, 25 de setembro de 2011

Hermit, o heremita

Numa ilha distante, numa praia deserta vivia Hermit, o heremita. Todo dia ao acordar ele ia se dedicar à tarefa de construir castelos na areia. Logo ao alvorecer iniciava-se as obras para a construção de mais um castelo. Por vezes o mar avançava além do planejado e nosso herói tinha que parar as obras. Outras tantas vezes chovia e igualmente as atividades humanas na ilha eram paralisadas. Mas assim que as coisas retornavam ao seu estado 'normal', lá voltava Hermit o heremita aos seus afazeres. Tinha que concertar eventual estrago causado pelas intempéries ou desistir e iniciar novamente. Isso não incomodava nosso personagem. A chuva ou o mar estragaram tudo? Não tem problema. Faz-se tudo novamente.
Quando Hermit via que o sol estava alto, parava para ir pescar. Ficava lá cerca de uma hora e comia aquilo que conseguia. Não precisava guardar para o dia seguinte, havia peixes suficientes para ele por tempo indeterminado. Quando o sol se punha era tempo para encerrar as tarefas pelo dia e esperar o seguinte.
Por mais estranho que possa parecer a nossa ordem natural das coisas, bolhas de sabão surgiam por vezes na ilha. Essas faziam Hermit parar tudo que fazia e correr atrás delas. Ele sempre tentava pegá-las, mas nunca obteve sucesso. E sempre retornava para sua tarefa de construir castelos de areia.
E assim Hermit viveu seus dias, até que um dia morreu.
FIM

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Quanto mais forte o vento, mais forte as árvores

Volto a escrever aqui contando um acontecimento muito interessante que eu vivi durante a enchente aqui em Blumenau. Assim que a água baixou, desci à garagem do prédio para ajudar na limpeza. Um senhora então começou a contar como foram outras enchentes com uma naturalidade impressionante. Ela se mudou para esse prédio em 1984 e passou por vários desastres como esse. Mas eu me impressionei com a tranquilidade com a qual ela contava sobre os acontecimentos. Conclui então que os ventos (as enchentes nesse caso) fizeram a árvore (essa senhora) mais forte.
Uma tendência muito comum nesses casos é a pessoa fugir procurando segurança. Se o vento mudou e pegou desprevinido, vamos embora para outro lugar. Quando surge um problema nessa nova localidade, muda-se novamente e assim sucessivamente. Sempre em busca da segurança e livre do perigo. Medo se torna algo corriqueiro e respeitado nesses casos. Tem-se medo de ir a lugares, conversar com pessoas, procurar emprego, sonhar um sonho.
O problema nesses casos reside no fato que com isso cria-se uma pessoa incapaz de lidar com a vida. Porque ela não possui raizes (foi transplantada constantemente), carrega um monte de folhas e frutos desnecessário (ela sempre quis protegê-los) e possui um tronco fraco (ela nunca teve que se virar sozinha na vida).
Quando um vento forte bate, deve-se firmar as raízes em solo confiável, soltar as folhas desnecessárias e deixar que seus frutos voem e façam suas vidas. Ficar fugindo das coisas para achar uma suposta segurança fará com que ela justamente fuja de você.