quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Moul o rato

Moul era um rato que nasceu rato. Não pediu para isso nem teve culpa. Nasceu num local que nem sabia qual era, nunca havia se preocupado com o nome dos lugares ou em saber realmente onde estava. Sua preocupação era sobreviver. E isso ele fazia muito bem! Quando via comida, comia, quando via abrigo, se abrigava, quando via líquido bebia. E assim ele vivia sua vida. Nunca se preocupou com a felicidade, tristeza, satisfação, auto-realização. Até porque esses conceitos nunca foram apresentados a ele. O que ele gostava era comer umas coisas verdes que encontrava.
Certa vez, ao entrar num local para comer a coisa verde, de repente tudo se escuresceu. Moul então ficou lá dentro por alguns dias. Uma hora viu a luz e saiu de onde estava. Nesse local tudo era diferente da realidade que ele vivera até então. Agora, o que ele comia não era mais verde, mas amarelo. Os abrigos eram diferentes, a comida também. E Moul vivia.
Moul passou várias vezes por situações dessas. Hora tudo ficava escuro e quando vinha luz, tudo mudava. E assim Moul viveu. Durante esse perído, ricos empobreceram, pobres enriqueceram. Reis nasceram e morreram. Pessoas importantes perderam sua importância e outros cresceram em importância. Tecnologias se desenvolveram, guerras ocorreram, milhares morreram e nasceram. E Moul simplesmente viveu.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Pescadora

Ela vivia numa comunidade de pescadores. Todo dia acordava para preparar comida para seu marido ir pescar. Durante o dia realizava suas tarefas domésticas com excelência. Nada a incomodava ou a entristecia. Sua vida era legal.
Mas toda vez que saía para se despedir do marido uma dúvida vinha: "O que existe depois da entrada da baía?". Mas isso não chegava a perturbá-la. Sua vida social era ótima. Todas as pessoas da comunidade a amavam. Não havia motivos para ela reclamar. Ela era feliz e sabia.
Um belo dia, após se despedir do marido, inexplicavelmente ela entrou num barco e foi conferir o que havia após a entrada da baía. Muita coisa ela viu pelo caminho até chegar no ponto que gostaria. Chegando lá, ficou satisfeita consigo mesma e decidiu voltar. Mas pensou, por quê voltar?