quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Dá para comparar?

Com a proximidade da Copa do Mundo e os diversos estádios sendo construídos/reformados pelo Brasil muita discussão tem sido feita sobre o conforto oferecido aos torcedores. Muitas pessoas comparam as arenas esportivas com salas de cinema ou teatro. Não poucas vezes li comentários do tipo “Por que uma pessoa iria a um estádio, quando no cinema tem ar-condicionado, poltrona confortável e etc?”. A isso eu respondo: porque é um torcedor.
Imagine a seguinte situação: Você está no teatro vendo o espetáculo e a pessoa ao teu lado diz “esse ator está mal hoje, não acha? Bom mesmo era aquele que foi mandado embora”. E essa pessoa continua sempre conversando contigo ao longo do espetáculo. Aí ao fundo uma turma uniformizada canta o tempo todo umas músicas que você não entende. Pois bem, não obstante isso, quando o vilão da peça comete uma maldade contra o mocinho, duas pessoas levantam e xingam de todas as formas o cara. Mas ainda não terminou, toda vez que o mocinho derruba o vilão, o teatro explode de celebração e aquele cara que não parava de falar contigo te cumprimenta como se vocês fossem amigos de longa data e conquistaram algo que a tempo planejaram juntos. Por final, quando a peça acaba, diversas pessoas provocam o vilão debochando dele, pois perdeu para o mocinho.
Fora de contexto essas pessoas? Pois assim também penso que é ir a um estádio como se fosse teatro/cinema. A relação espetáculo/espectador é totalmente diferente nos dois ambientes. Imaginar que transformando o estádio em teatro vai trazer mais público pode funcionar para uma Copa do Mundo, mas para as demais partidas penso que não funcionará. Torcedor deve ser entendido como torcedor. Uma boa estratégia de marketing para um time de futebol só vai trazer mais gente aos estádios se isso for entendido. Ou você acha que o grito de gol deve ser silenciado e apenas ao final da partida o público pode aplaudir?

quinta-feira, 15 de março de 2012

Delgruoj, o irmana

O clima era árido, os tempos difíceis. Guerras grandes, médias e pequenas atormentavam e impossibilitavam a paz nas terras de Alets. Combates eram travados constantemente, morte e destruição eram a rotina do lugar. Para todo o cidadão daquele lugar, seja rico ou pobre, sobreviver era a única preocupação. Para isso cada um fazia o que estava ao seu alcance. Ética, moral, bondade e semelhantes não eram discutidos em lugar algum.
Nesse mundo vivia Delgruoj. Delgruoj vivia em Alets, porém possuía ascendência iramana, o que lhe fazia um ser excêntrico aos demais habitantes. No entanto, suas idiossincrasias eram sentidas apenas em algumas situações e isso nunca impossibilitou o convívio de Delgruj com os demais habitantes do local. Rezava uma lenda em Alets que Delgruoj guardava em seu coração o caminho para uma terra melhor. Não um paraíso, mas um lugar onde sobreviver não é a primeira preocupação.
Algumas pessoas criavam coragem e perguntavam a Delgruoj sobre essa história. Quando então ele proclamava a lenda, as reações variavam desde ceticismo até a crença. Durante anos Delgruoj conviveu com isso e durante anos guiou os que acreditavam nele até essa terra. Dentre os que acreditaram estava Rothbet. Esse perguntou por dias para Delgruoj se era possível guia-lo até esse lugar. O irmana relutou, mas pela insistência do garoto o preparou para a viagem e partiram. Durante o caminho cresceu uma amizade entre o ancião e o garoto, passaram algumas dificuldades e momentos inusitados.
Um dia pela manhã flanquearam a curva de um rio e vislumbraram um portal. Subitamente, Delgruoj parou. Rothbet nem percebeu e continuou caminhando. Apenas após uns metros percebeu que vagava sozinho. Voltou para indagar Delgruoj sobre a pausa, foi quando o ancião respondeu: “Daqui para frente, você vagará sozinho. Estás por tua conta, não posso te acompanhar.”
- Mas por que não vens comigo? -  indagou o garoto.
- Para além daquele portal existem diversos perigos para um velho irmana como eu. Até aqui te ajudei, daqui para frente terás que seguir sozinho. Não és o primeiro a fazer isso, outros tantos já caminharam comigo e nos separamos nesse mesmo ponto.
Rothbet passou pelo portal. Seguiu o conselho do ancião e ficou no caminho e encontrou diversos alertianos felizes no caminho. Algo em Rothbet começou a funcionar.
Delgruoj ficou ali sentado. Não voltou mais ao vilarejo de onde vieram, nem atendeu a clamores de outros aletianos para que os guiasse para terra boa. Algo em Delgruoj já não funcionava mais.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Será uma meta válida?

Um pensamento tem me chamado a atenção ultimamente. No que diz respeito a relacionamentos, você deve aproveitar o momento. Se uma pessoa que você gosta te chama para sair, saia. Se vc pode dizer para uma pessoa que a ama, diga. Se você pode ajudar um amigo, ajude. Não deixe passar uma oportunidade sequer de fazer algo legal para uma pessoa importante para você.
Vamos fazer um exercício mental. Pense em umas 10 pessoas do teu convívio direto hoje. É bem provável que algumas dessas pessoas vão embora, como acontece na música Zehn kleine Jägermeister. E esse momento ninguém sabe quando vai chegar. Uma pessoa pode morrer, ser transferida para outra cidade ou simplesmente se aventurar no além-mar. Então, por que não aproveitar que os 10 Jägermeister estão perto de ti e curtir esses relacionamentos?
Alguém provavelmente vá dizer que esse negócio de aproveitar o momento é ideia do consumismo. Devemos pensar no futuro também e essas coisas. Eu concordo com isso se estamos falando de negócios e carreira, mas quando o assunto é relacionamento discordo totalmente. Afinal, amigo de verdade não cobra entrada, nem consumação, nem vale-transporte. Amigo que é amigo senta numa roda de chimarrão pra prozear mesmo sem gostar de chimarrão, porque sabe que o importante não é o que se bebe, mas com quem.
Portanto, será que aproveitar as amizades é uma meta válida para 2012? Eu acho que vou tentar e isso pode incluir você.