Maria Eduarda nascera numa boa família. Desde
pequena fora educada para obter sucesso e atingir as alturas. Quando criança passava
suas manhãs na escola, onde seus pais sempre a incentivaram a ser a melhor, e
suas tardes com sua vizinha Maria Antônia. Um dia jogavam damas na casa de
Antônia, outro na de Eduarda. E as duas aproveitavam o tempo para conversar
sobre como fora o dia enquanto jogavam.
Na adolescência Eduarda se afastou um pouco de
Antônia. Isso porque ela precisava estudar muito durante o ensino médio para se
preparar para a universidade. Ela passou a acompanhar seus amigos do colégio,
porque eles podiam ajudá-la com seu objetivo no momento: entrar na faculdade.
Maria Eduarda conseguiu seu objetivo e depois de
alguns anos na melhor universidade, se formou como a melhor de sua turma. Foi nesse
tempo que conheceu Fabio e depois de alguns anos juntos se casaram. Ele tinha
uma situação econômica promissora e com isso podia levá-la para qualquer lugar.
Isso a fez conhecê-lo mais e permitiu a ela entrar como funcionária de uma
grande empresa. Conheceu diversas pessoas lá dentro, principalmente José e
Antônio, altos diretores. Dedicou-se muito para que eles a conhecessem e
lembrassem dela. Afinal, quem não é visto não é lembrado.
Após alguns anos casada e trabalhando ainda na
mesma empresa, José a ofereceu uma vaga que exigiria dedicação total. Foi então
que decidiu por divorciar-se de Fabio e deixar sua pequena filha, Maria
Fernanda, aos cuidados dele. Afinal, o seu trabalho exigia demais dela e ela
precisava de tempo.
Casou-se mais duas vezes na vida. Uma vez com um
alto diretor e depois com o presidente da empresa onde trabalhou. Conseguiu
juntar e administrar um fortuna até o final da sua vida. Foi a melhor na sua área e construiu uma mansão
de onde administrava seu reinado sozinha. Sua filha e seus ex-maridos só a
procuravam quando algo lhes interessava. Afinal, foi dessa forma que Maria
conduziu seus relacionamentos a vida toda. Um dia, olhando para fora da janela,
avistou uma pessoa passando na rua que lhe parecia familiar. Resolveu ir até lá
para perguntar seu nome. Qual não foi sua surpresa quando viu que ali estava
Maria Antônia! Conversaram bastante aquele dia e decidiram se encontrar no
outro dia para jogar damas, como quando criança. Passaram então a jogar todo
dia, uma vez na casa de Maria Eduarda e outro na casa de Maria Antônia. E as duas aproveitavam o tempo para conversar sobre como fora a vida.
Encerraram suas vidas da mesma forma que iniciaram.