É noite escura e decido tomar uma cerveja. Abro a geladeira e pego a última solitária que restou. Dirijo-me então à sacada onde sento-me numa cadeira e observo a noite que se apresenta. Olho para a rua e vejo diversos homens caminhando e se esgueirando pelas calçadas. São vários, todos com suas histórias que não serão contadas, buscando algo que nem sabem o que é. Caminham pelo deserto urbano, vagam errantes e sem destino. Uma névoa paira pelo ambiente, a escuridão domina a cidade. Em uma esquina um negro toca um blues que embala a noite.
Subitamente vejo várias mulheres surgirem, ninguém sabe de onde. São as damas da noite. Não existe um padrão para elas. Algumas são altas, outras baixas, outras magras outras gordas. Algumas belas e outras nem tanto. Elas servem como miragem no deserto para os homens que as veem. Para os olhos perdidos, são a luz que as sombras solitárias buscam.
Olho e vejo um casal formado naquela noite contando suas histórias tristes numa mesa de bar. Entre um relato e outro, um trago de uísque e um retoque no batom. Estão longe de casa, jamais poderão voltar. Escuto um brado 'Eu quero taças erguidas, essa mesa é nosso lar'. Todos brindam e vejo que minha garrafa está quase vazia.
Termino minha cerveja e recolho-me aos meus aposentos. Ao amanhecer vou à sacada imaginando ver resquícios da noite anterior. Para minha surpresa, nada vejo. Apenas carros com pessoas indo trabalhar.
Isso é de uma tristeza tocante: vidas que contém histórias que nunca serão contadas!
ResponderExcluirSempre acaba em Blues. Massa John!
ResponderExcluir