Um
dos conceitos centrais do marxismo e, por consequência do pensamento
de esquerda, é o conceito de conflito de classes. Esse
desenvolveu-se ao longo do século XIX por Karl Marx e tornou-se
ponto comum em quase todos os pensadores que o seguiram. Para melhor
compreender esse conflito de classes, vamos voltar um pouco no tempo
e ver uma das suas origens.
Na
primeira metade do século XIX viveu um filósofo alemão chamado
Georg Wilhelm Friedrich Hegel que desenvolveu um conceito
interessante para dialética. Essa dialética que ficou conhecida
como 'Dialética Hegeliana' difere em alguns pontos daquela utilizada
pelos gregos, mas não iremos nos ater a isso nesse momento. Apenas
mantenha em mente que a dialética aqui descrita não é igual àquela
dos gregos.
Para
Hegel, o desenvolver do mundo se resume a um embate entre opostos.
Existe uma tese e uma antítese. Essas entram em conflito e desse
último surge uma síntese que tornar-se-á um tese e reiniciará o
ciclo. Exemplificando, imagine uma planta. Essa planta simplesmente
vive (tese). No entanto, um determinado dia surge uma nova espécie
de lagarta que ameaça a vida dessa planta (antitese). Do ponto de
vista dessa planta, ela agora precisa enfrentar essa sua antitese.
Esse conflito gera dor e sofrimento, mas ao final do processo ela se
torna uma planta melhor pois superou sua antítese. Mas ela não é
mais a mesma de antes, esse conflito pelo qual ela acabou de passar
tornou-a uma nova planta, ou seja, uma síntese desse processo.
Analogamente,
Marx pegou esses conceitos hegelianos e implementou nos seus estudos.
Analisando a história da humanidade, ele conseguiu ver diversos
períodos em que uma realidade estabelecida (tese) encontrou uma
contestadora (antítese). Isso gerou um conflito que resultou em uma
nova sociedade (síntese). Assim foi no Império Romano (tanto na sua
ascensão quanto na sua queda), na Idade Média e na ascenção da
burguesia.
Essa
realidade da burguesia já estabelecida foi o ambiente no qual Marx
viveu e escreveu. Para ele, esse período se dividia em uma classe
que detinha os meios de produção ( os capitalistas ) e aqueles que
vendiam sua força de trabalho para eles ( os operários ). Essa
realidade caminharia para a criação de um foço social separando
esses dois grupos. Teríamos aqui uma dialética hegeliana, sendo os
capitalistas a tese, os operários a antítese. Disso resultaria um
conflito, uma revolução. Essa revolução resultaria numa sociedade
melhor e mais justa, a síntese.
Conflito
de classe, simplificando, é a implementação do dialética
hegeliana na sociedade. Existe um poder estabelecido que se defronta
a uma nova realidade. Esses dois se embatem e geram uma nova
sociedade. Importante notar que nesse processo, fala-se em dor,
conflito, embates. Palavras importantes para os próximos textos.
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