Marx
morreu em 1883, mas suas ideias continuaram. Ele foi (e é ainda) o
grande pensador influenciador de diversos partidos comunistas que
surgiram. Assim como ocorreu com vários outros pensadores, ele teve
uma turma de seguidores e seu nome deu origem a uma linha de
pensamento, a saber, o marxismo. Muitas das ideias hoje ditas como
marxistas são um misto dos pensamentos originais desse pensador e de
seus seguidores.
Importante
notar que o marxismo surgiu em uma sociedade capitalista e
democrática1
e previa uma revolução a partir de uma sociedade que se encontrava
nesse estado. Voltando um pouco no tempo, ao longo do século XIX2
desenvolveu-se e estabeleceu-se na Europa Ocidental um modelo
políto-econômico. Eric Hobsbawm chama esse processo de dupla
revolução, onde um regime político (monarquia absolutista com seus
reis e nobreza) dá lugar a um novo (em sua maioria monarquias
constituicionalistas com suas constituições, assembleias eleitas,
chanceleres e etc). Juntamente, um regime econômico feudal dá lugar
ao regime capitalista. Essa sociedade onde Marx viveu possuia,
segundo ele e seus seguidores, uma contradição intrínseca que
resultaria no seu fim, pois o rico ficaria mais rico e pobre cada vez
mais pobre. Uma hora o pobre se aperceberia disso e se revoltaria.
Essa revolta ficou conhecida como revolta comunista.
No
entando não foi isso que se viu acontecer. No final do século XIX e
início do XX, os capitalistas perceberam que poderiam aumentar sua
produção melhorando as condições de trabalho dos seus operários.
Foi nesse período que surgiram os primeiros programas para melhorar
o bem-estar social, em outras palavras, foi nesse período que
surgiram os primeiros INSS, FGTS e previdências sociais do
capitalismo moderno.
Isso
significou um grande problema para os marxistas, pois agora as
pessoas começaram a gostar de trabalhar para o capitalista. Com
isso, a revolução comunista não poderia ocorrer, pois se o povo
não se revoltasse, não haveria revolução (óbvio não é?)!
Então, qual seria a saída? Iniciar a revolução em um país que
não tenha passado pela dupla-revolução descrita anteriormente.
Qual seria esse país? A Rússia! E coube o papel de incendiar a
revolta a Vladimir Lenin.
No
entanto, havia um problema. Se o comunismo vem de uma sociedade
capitalista, como fazer com que a Rússia pulasse de uma sociedade
feudal para uma comunista, sem passar pelo capitalista? A solução
foi que a Rússia passaria por uma espécie de capitalismo controlado
e rápido, apenas para as pessoas pegarem o gostinho e perceberem os
problemas do capitalismo. Depois, iniciaria-se a revolução que
deveria tomar toda a Europa e o mundo.
Interessante
perceber que já em 1917 viu-se que as ideias de conflito de classe,
revolução comunista, fosso entre as classes e etc. possuiam lacunas
e que o desenrolar da história provou-se diferente do que Marx
previa. Percebeu-se que a revolta comunista não aconteceria em
países capitalistas devido às políticas de bem-estar social
empregadas pelos governos burgueses. Afinal, qual problema de eu
trabalhar para um capitalista, se ele me dá dinheiro suficiente para
eu ter uma vida bacana? Chegamos ao ponto onde gostaria de iniciar o
último texto da série. Não deixe de ler!
1Não
democrática como temos hoje no século XXI, mas já haviam à época
constituições, assembleias eleitas e outras instituições
democráticas.
2Muitos
podem dizer que o início do período descrito foi com a revolução
francesa de 1789.