segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Lições da agricultura

Apesar de nunca ter sido um agricultor, aprendi algumas coisas observando meus amigos agricultores de Witmarsum. Queria aqui me ater a duas somente. A primeira é que na maioria das vezes, quando se planta se enterra a semente. Ninguém deixa a semente no asfalto ou em cima de uma pedra onde o sol bate e todos veem. Mas enterra-se ela. A segunda é que se colhe o que se planta. Na agricultura não funciona aquela lógica que uma mentira repetida mil vezes se torna uma verdade. Ou seja, se eu plantar soja e falar para mim mil vezes que eu plantei feijão, não vai transformar a soja em feijão. Ao final de alguns meses colherei soja, por mais que quisesse feijão.
O que eu acho interessante observar também é quantas vezes na Bíblia aparecem analogias que utilizam a agricultura. Temos a parábola do semeador, da semente de mostarda, da árvore e seus frutos e por aí vai. Não acho que isso seja por acaso. Afinal, por várias vezes na Bíblia encontramos que a criação reflete o caráter divino. Deve ser por isso que Jesus utiliza a agricultura como exemplo para ensinar.
Mas o que eu queria passar com os exemplos mencionados no primeiro parágrafo e que é no silêncio, na escuridão e na solidão que se semeia. Sabe aquelas horas em que você está só consigo mesmo? É nessas horas que você está semendo coisas na tua vida. Afinal, nesses momentos revisamos o que se passou no dia, planejamos o futuro, curtimos um amor ou ódio por uma pessoa. E também não adianta você se enganar, seja lá o que você estiver semeando nesses momentos, no futuro colherá a mesma coisa. Não adianta nada você dizer para todos que planta o amor se quando encosta tua cabeça no tavesseiro você planeja o mal para alguém. Você pode falar isso para mil pessoas e até enganar por um tempo. Mas essa semente que você plantou germinará e você colherá o que semeou.
No entanto, a reversa é verdadeira. Se você pensa em fazer o bem, mas no dia-a-dia as pessoas não acreditam e acabam falando mal, não se preocupe. Continue semeando o bem porque essa semente germinará e você ceifará o que plantou.
Espero que você ao ler esse texto pegue um tempinho para se perguntar o que está semeando. Fale a verdade para si mesmo. E não importa a que resposta você chegue, gostaria que você tivesse coragem de plantar coisas boas. Se todos fizéssemos acho que o mundo seria um lugar melhor. Mas acho que isso é coisa de sonhador...

sábado, 27 de novembro de 2010

Rio de Janeiro

Passei os últimos dias acessando constantemente aos sites de notícia para ver as novas sobre a 'guerra' que se deflagra no Rio. Uma cidade maravilhosa, que eu já tive a oportunidade de visitar duas vezes e como diria minha professora de espanhol, uma cidade para se ir sempre de novo. Mas essa cidade também sofre com o tráfico de drogas e enfrenta agora um desafio enorme, mas também ganhou uma chance de ouro.
Sei que isso não é a coisa mais cristã para se falar (e se você não concorda, sinta-se a vontade para comentar), mas defendo a ideia da polícia subir o morro e passar o fogo nos traficantes. Digo isso porque não acredito que aqueles traficantes todos resolvam acordar amanhã e pensar:"Bom, acabaram com minha boca de fumo, então vou fazer um curso no Senai e arranjar um emprego.". Infelizmente, não acredito em solução para essas pessoas. Mas como disse acima, se você discorda, incentivo-te a comentar! Eu prefiro olhar para o passado para depois olhar para frente.
Na décade de 90, 600 soldados do exército tomaram duas favelas no Rio de Janeiro. A população aprovou, gostou da ideia. Afinal, aqueles bandidos não podiam continuar fazendo o que queriam! Passados 16 anos o governo federal anuncia que 800 homens do exércido serão mobilizados para auxiliar na tomada de uma favela. Mas e aí, o que vai ser feito depois? Os policiais e soldados descerão o morro e irão para onde? E o que vai ficar?
Ontem fui com uns amigos tomar uma cerveja no Festival da Cerveja aqui em Blumenau. Como não podia deixar de ser falamos sobre isso e sobre como esses meninos, que a 16 anos atrás eram crianças, tornaram-se nesses bandidos. A pergunta que eu quero fazer, e com isso olho para o futuro, é: Daqui a 16 anos vamos de novo sentar numa mesa de bar e lamentar a violência que existe no Rio e no resto do país, ou será que agora a coisa melhora de uma vez por todas? Difícil responer...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Mais uma vez Linux

Faz umas duas ou três semanas que instalei um sistema operacional Linux no meu note. E vou fazer uma comparação entre Windows e Linux. Antes de começar, gostaria de escrever que instalei a distribuição openSuse 11.3, então onde eu falar de openSuse, falo de Linux.


Windows: Quando quero fazer algo multi-mídia (vídeos e música) ainda dependo do Windows. Jogos também só rodo no Windows. Pelo que percebo agora, o Windows é muito bom para entretenimento (jogos, fotos, vídeos). Mas para programar não me parece tão bom. Existe o VisualStudio, mas ele só serve para fazer programas para Windows, o que para desenvolvimento é um grande impecílio. Outro ponto positivo para o Windows é que ele é mais fácil de mexer para quem não tem o perfil de nerd.


openSuse: Veio com um programa para substituir o Messenger. Utilizo-o, mas é fraco. Não tem nem como administrar meus contatos. Mas ouvi dizer que existe programa bom para Linux, mas não quis procurar ainda. O que eu gosto muito é que o Linux é muito mais rápido. Não cronometrei o tempo para ele se ligar, mas é notável que ele se liga muito mais rápido. Para programar ele é muito bom porque é rápido. A placa de som ainda não está totalmente configurada, na verdade nem achei o driver pra ela. Mas isso tem me motivado. Minha intenção agora é programar um drive para o openSuse. Como posso mexer no código-fonte do Linux, essa ideia não é tão absurda.


Mas o Linux não é a solução para os problemas do mundo, embora eu hoje prefiro ele ao Windows. Mas eu sou nerd, então essa opinião é de se esperar. Meu próximo passo seria comprar um Mac, mas esses são caros. Quem sabe ano que vem...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Silêncio e solidão

Li esse texto da Doro e pus-me a pensar. Lembrei-me então desse vídeo que fala por si só.
Acho interessante observer o quanto enchemos a nossa vida e nossos planos com 'barulhos'. Passamos o dia planejando nosso futuro, pensando em como vai ser bom quando for tal dia, quando tal curso terminar, quando tal pessoa chegar e por aí vai. Sempre achamos um motivo para pensar no futuro e esquecer da vida agora. Sempre achamos um motivo para fugir do silêncio e da solidão necessários para pensarmos em quem somos. Espero que você consiga achar o silêncio e a solidão. Não desejo isso por maldade, mas para você poder ter tempo para se encontrar.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Coxa campeão!!!

Finalmente acabou o sofrimento! O Coxa voltou à série A e como campeão! Mas tem algumas coisas aqui que penso serem legais de comentar mesmo se você não gosta de futebol.
Superação: O time do Coxa jogou apenas sete partidas em seu próprio estádio para garantir o acesso e oito para garantir o título antecipado! Para se ter uma ideia, numa campanha normal o time joga 19, mas devido à punição (justa ao meu ver) o Coxa jogou 10 partidas em Joinville. E todos (inclusive esse que vos escreve) acharam que o Coxa ia para série C e bobear sumir do futebol como o Santa Cruz. Mas voltou mesmo com essa adversidade! Afinal, não jogar em casa significa menos público, menos arrecadação, menos condições e etc.
Caráter do Ney Franco: Ele foi o comandate do time. Disse logo após cair para a série B que devolveria o Coxa para a série A. Pois bem, ele cumpriu sua palavra. Teve propostas de clubes da série A como o Cruzeiro. Podia muito bem sair e abandonar o Coxa e jogar a Libertadores ano que vem. Mas ficou! Ficou porque percebeu que mais vale o prazer de encostar a cabeça no travesseiro a noite sabendo do seu bom caráter do que ter um caminhão de dinheiro, mas moral nenhuma.
Humildade: O Coxa aceitou sua punição, cumpriu-a com honra. Aceitou jogar a segunda, foi lá, viu e venceu. Não maquinou virada de mesa, não pos a culpa nos outros pela sua tragédia. Foi adiante assumindo seus erros e mudando-os.
Sei que em dezembro de 2011 posso escrever nesse blog um texto criticando o Coxa, mas isso não muda os fatos. Isso não vai mudar que se encararmos nossos desafios com coragem, se tivermos caráter e humildade seremos pessoas melhores e nossas conquistas serão mais saborosas. Afinal, poder olhar para si mesmo e saber que se é vencedor e honesto não tem preço!.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Linux

Vou inaugurar meu escritório falando sobre isso que tem me ocupado bastante. Dentro daquela minha ideia de não ficar só no seu mundinho, resolvi cruzar a última fronteira nerd e instalei Linux no meu note, uso a distribuição openSuse 11.3. Ainda não tenho muita experiência, mas vou falar aqui das minhas primeiras impressões. Minha ideia é migrar tudo o que faço no Windows com relação a desenvolvimento (programação) para Linux. O Windows pretendo deixar para entretenimento (jogos).
No princípio passei raiva para conseguir instalar e rodar algumas coisas. E aí alguém vai dizer: "Viu, Linux não vale nada, as coisas não funcionam!". E vou dizer "não, né!". Você provavelmente não gosta de Linux porque não conhece. Ao menos no meu caso foi isso. Com o tempo você vai entendendo como as coisas funcionam. Pense assim, quando você aprendeu uma nova língua, você não achou que a que você já sabia era mais fácil? Mas lógico que era, porque era o que você conhecia!
Mas o que mais me chama a atenção nessa história toda é a ideia de que sou livre para criar. Não existe nenhuma restrição, posso pegar o código e alterar! Mas é claro que isso não é tão fácil. Mas quem disse que liberdade é fácil? Como diz aquela frase: "With great power, comes great responsability".
Para entender melhor o que quero dizer recomendo esse vídeo. Infelizmente ele não tem legendas. Mas acho que ele explica muito bem o que se passa na cabeça de alguém que gosta de openSource.
Para terminar, gostaria de dizer que a questão não é qual é melhor ou pior, nem iniciar um campanha anti-qualquercoisa. Apenas reforço o que digo em outros posts. Tenha coragem de sair do teu mundinho!!!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Negar-se e encontrar a individualidade

Existe um fenômeno na sociedade contemporânea que vejo com receio. Muitas pessoas estão negando sua individualidade em prol de uma causa (seja social, ecológica, etc.) ou um partido político ou de uma religião apenas para serem aceitos por um grupo social. E aqui novamente toca a música do Petra na minha cabeça "When will the world see that we need Jesus?" Mas espera aí, cristianismo significa procurar sua individualidade? E aquele versículo onde Jesus diz para negarmos a nos mesmos para segui-lo? Pois bem, é bem esse versículo que pego para mostrar que o título desse post tem razão.
Primeiramente é preciso dizer que o versículo continua dizendo que cada um é para pegar a sua cruz. Então juntando essas duas partes temos uma coisa interessante. Por um lado devemos negar a nós mesmos, ou seja, negar nossa individualidade. Mas por outro nos diz para carregar a nossa cruz, ou seja, carregar nossa individualidade. Percebem a contradição?
O que Cristo quer dizer é que você só vai encontrar aquilo que você realmente é se você negar aquilo que você PENSA que realmente é. Deixa eu te perguntar uma coisa, alguma vez uma pessoa próxima de ti chegou para você e disse que você é algo que você nunca tinha pensado que realmente era? Uma vez uma pessoa me disse que eu sou um cara muito complicado. Na hora fiquei muito irritado, mas a noite quando encostei a cabeça no travesseiro dei razão a essa pessoa. Neguei a mim mesmo quando disse para mim mesmo que tinha problemas e joguei fora a imagem que eu fazia de mim. Decidi pedir para Deus me mostrar quem realmente sou e não mais defender o que eu pensava ser. Eu queria carregar a minha cruz de verdade e não a que eu tinha feito para mim. Carregar sua cruz seria então conhecer as limitações desse teu corpo, mas também saber aquilo onde você é bom. Mas fazer isso muitas vezes é complicado porque implica em pedir desculpas, assumir erros, assumir perante outros que você não consegue realizar determinada tarefa. Mas eu acho que isso vale a pena. Porque se não fosse esse acontecido com essa pessoa esse blog não existiria nem eu estaria tão bem comigo mesmo como estou hoje em dia.
Mas o que me preocupa mais ao observar as pessoas hoje é que muitas não tem essa coragem de negar a si mesmo. Fico muito triste quando vejo que pessoas insistem em defender aparências, em não procurar a verdade e assim construir um mundo imaginário. Espero que você também tenha um dia a coragem de buscar aquilo que você é, que você tenha coragem de ser.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Beatles e John Cage

Estou assistindo a um show do Paul McCartney e me inspirei para escrever isso (além da vontade enorme de montar uma banda para tocar pelos botecos da vida).
Primeiramente gostaria que você ouvisse a essa música. Ouviu? Se sim, você provavelmente deve estar afirmando que isso não é música. Mas saiba que é. Porque música é o som trabalhado no tempo com a intenção de se fazer música. Esse é o paradigma que rege a música desde o início do século XX. Portanto, uma música que utiliza apenas ruídos ao invés de notas definidas também pode ser considerada música. Afinal, ruído é um som e se o compositor organiza uma série de ruídos pensando em fazer música, então é música.
Mas talvez essa minha argumentação não te convença e você pense "eu nunca ia gostar disso e isso nunca faria sucesso!!!". Bom, não tenho poder para mudar teu gosto, mas escute essa canção dos Beatles. Preste atenção quando o vídeo chegar no tempo 1:47 até 2:10 e depois no trecho que vai de 3:55 até 4:20. Agora me diga, qual a sequência de acordes feita nesse trecho? Consegues perceber algum? NÃO!!! E sabe por quê? Porque não é utilizada nenhuma sequência de acordes, mas o ruído de uma orquestra!!!
Também não pense você que essas duas músicas foram escolhidas ao acaso. Porque Beatles e John Cage eram amigos! Acho que posso contar mais um ponto para minha ideia que conhecer outras coisas além do seu mundinho é uma decisão inteligente, ou você discorda?

domingo, 14 de novembro de 2010

Sobre o Tropa de Elite 2 [2]

Queria comentar agora esse filme sobre o aspecto socio-político. Assim como muitos, também achei esse filme mais profundo do que o primeiro Tropa de Elite. Isso porque, se no primeiro filme retratava-se apenas a contradição de uma classe média brasileira que defende a paz e os pobres, mas financia o tráfego consumindo drogas, nesse adiciona-se ao caldo a classe política. Apenas não gostei dele ter sido lançado após as eleições, preferia que fosse antes para se discutir melhor o papel do poder legislativo no cenário político brasileiro.
Primeiramente, não acredito em político idealista em lugar algum do mundo. Todos eles se preocupam com a próxima eleição. Afinal, na visão deles, eles de quatro em quatro anos têm que se preocupar em continuar com seu emprego. Então, nada mais lógico que causar impacto para ganhar mais eleitores. A questão é: qual o preço do voto do cidadão?
No Brasil, para se ganhar votos basta construir alguma coisinha, dar a impressão que a pessoa pode comprar e consumir mais que se ganha votos. Se o candidato é honesto ou quais valores que ele defende pouco importa. Apenas crentes babacas é que de vez em quando falam em moral, mas aí é só esculhambar com eles que está tudo resolvido. É como no filme, o índice de criminalidade diminuiu e construi-se algumas quadras esportivas, então o deputado merece ser reeleito.
Outra coisa preocupante é que somos um país de quase 190 milhões de Tiricas. Afinal, quem sabe o que um deputado faz e qual sua influência no Brasil? Então vota-se em qualquer pessoa com um bom discurso e boa aparência. E se o cara fez algum favor pessoal, então ganha meu voto!
O filme termina com a frase "o inimigo agora é outro". Penso que o inimigo agora é o próprio povo brasileiro. Porque é ele que elege essas pessoas, é ele que abre mão de conhecer o que de fato se passa na política brasileira, é ele que aceita favores pessoais ou discursos prontos em troca de seu voto. Esse talvez devesse ser o inimigo a ser combatido.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Sobre o Tropa de Elite 2



Resolvi inaugurar a capela com um texto sobre esse filme. Isso porque logo nas primeiras cenas do filme eu lembrei do refrão dessa música. "When will the world see that we need Jesus?". E explico o porquê.
No sermão do monte, mais especificamente em Mt 5,38-42,
38 Vocês ouviram o que foi dito: Olho por olho e dente por dente.

39 Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra.

40 E se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa.

41 Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas.

42Dê a quem lhe pede, e não volte as costas àquele que deseja pedir-lhe algo emprestado.

Clique aqui para fechar.
Cristo fala para não resistirmos ao perverso, a oferecer a outra face e por aí vai. Muitos pensam que ele está ensinando a sermos trouxas, mas não. Quando você entrega duas túnicas ao ladrão ao invés de uma, você está se desprendendo das coisas. A ideia não é incentivar a covardia, mas a liberdade. A liberdade para não morrer por um iPod, a liberdade para não ter gastrite por causa de uma possível promoção. O cara quer levar um bem teu? Pode levar, você não precisa dele para viver! E o mais interessante, é que de fato não precisamos dessas bugigangas que nos são oferecidas.
Mas que relação tem isso com o filme? Muita! As pessoas no filme matam, destroem famílias, viciam pessoas e por aí vai, porque estão presos à sede pelo poder, status, dinheiro. Não pensam duas vezes antes de usar os poderes concedidos a eles pelo 'sistema'. Aqui também mostra que precisamos de Cristo. Afinal, Ele podia fazer o que quisesse! Ele poderia até destruir o sistema! Mas ele abriu mão dessa prerrogativa e viveu o que pregava.
Gosto muito desse vídeo do Nooma. Assista lá porque explica muito bem o que quero dizer. Sei que as coisas não são tão simples assim, mas pense nisso: o que a violência e a defesa do que é nosso com todas nossas forças trouxe? Por quê não tentar ser diferente? O que vocês acham?

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Escuta inteligente - Forma Sonata

Como muitas pessoas dizem que não entendem a música contemporânea, resolvi começar uma série para explicar algumas coisas sobre música. Para começar resolvi mostrar um exemplo de forma sonata e para isso escolhi a 4a. sinfonia de Mendelssohn.
Basicamente a forma sonata constitui de três partes (A B A), onde na parte A ou exposição os temas principais são expostos. Na parte B ou desenvolvimento o compositor dá asas à sua criatividade e inventa com esses temas. E por final na parte C ou reespoxição a parte A é repetida igual, mas diferente. No vídeo abaixo explico isso um pouco melhor.
DICA: Escute a música num som que você possa ouvir todos os instrumentos.


Espero que você tenha gostado da música. Como lição fica para você encontrar essa mesma forma sonata nessa música.

domingo, 7 de novembro de 2010

Fangio x Schumacher

A sociedade atual busca por mitos, heróis de qualquer forma. Necessita-se fabricar mitos para atender essa demanda. Um desses é Michael Schumacher. O cara, em números absolutos, é sem dúvida um extraordinário piloto. Não quero desmerecer nenhum dos feitos dele, apenas por o pingo nos is. Observem a tabela abaixo:
Piloto Vitorias Poles Corridas % de vitórias % de poles
Michael Schumacher 91 68 266 34,21 25,56
Juan Manoel Fangio 24 29 51 47,06 56,86
Reparem que em números absolutos Schumacher ganha disparado, mas vamos relativizar. Quando Fangio corria eram 8 corridas por anos. Com Schummy o mínimo foi 16! Outra informação importante, Fangio disputou apenas 7 campeonatos inteiros, enquanto Schumacher correu 14 (não conto os anos de 1991, 1999 e 2010).
Não quero questionar a competência e genilaidade de Schumacher, mas quem de fato é o melhor de todos os tempos? O piloto que tem os recordes absolutos ou aquele que ganhou quase metade das corridas que disputou? Quem é melhor? Fica a pergunta...

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Porque tenho 'raiva' de Barrichello e Massa

Ano de 1970. Emerson Fittipaldi estreia na F1 e com pouco tempo vai para a Lotus como segundo piloto. Seu companheiro de equipe é campeão mesmo tendo morrido antes do final da temporada e Emerson ganha seu primeiro GP. Com isso ele causa uma ótima impressão e vira primeiro piloto da Lotus. Dois anos depois ele é campeão mundial.
Pulamos para o ano de 1986. Nelson Piquet é contrado para fazer dupla na Williams com o inglês Nigel Mansell. O brasileiro viu logo que a equipe priveligiaria o inglês e tomou uma atitude. Ele criou um clima de inimizade tamanha dentro da equipe que seus mecânicos não falavam com os de Mansell. Com isso, seus ajustes no carro ficavam só com ele e Piquet foi campeão mundial em 1987.
Um ano depois, Ayrton Senna é contratado para ser companheiro do francês e bi-campeão mundial Alain Prost na McLaren. Mas Senna não se intimida com o francês, conquista a simpatia da equipe e se torna tri-campeão pela McLraen. O francês? Depois de duas temporadas pediu para sair da McLaren porque viu que a equipe preferia Senna.
Vamos pular alguns ano e chegamos a 2000. Rubens Barrichelo é contratado como companheiro do então bi-campeão mundial Michael Schumacher. O que acontece? Isso!!!
Agora vamos avançar mais uns anos até 2010. Fernando Alonso, bi-campeão mundial (mais um bi-campeão???), é contratado para ser companheiro de Massa na Ferrari. E novamente acontece isso!!!
Eu sei que na F1 acontece jogo de equipe, até Senna fez isso!!! Mas o que me irrita em Barrichello e Massa é que ambos não se impuseram! Fittipaldi, Piquet e Senna corriam para ganhar! Massa e Barrichello só para ganhar uns bons trocos. Por isso, não consigo mais torcer para nenhum dos dois. Mas isso não significa que não assista às corridas!! Apenas não torço para os brasileiros...

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Minha opinião agora...

Falei sobre o que Adorno pensava sobre a regressão da audição e agora vou falar minha opinião. Eu acredito que esse negócio de coisificação e alienação realmente ocorre. Basta ver a última eleição ou ver como as pessoas se prendem ao emprego, bens ou outras coisas mais oferecidas pelo capitalismo. Para explicar melhor vou comparar a música ao McDonald's.
Acredito que todos saibam que comer no McDonald's não é exatamente a opção mais saudável. No entanto, um Big Tasty é tão bom! (Momento Homer Simpson "Big Tasty Aaaaaahhhhh"). Mas o mais interessante é que aqui no Brasil McDonald's é caro, não é saudável mas o povo (inclusive eu) compra. E muitas vezes fazer tua própria comida em casa do jeito que você gosta é uma ideia ridícula.
Observando a música acontece a mesma coisa! Um show do Paul McCartney custa até R$ 700,00!!! E a música dele não é diferente ou muito complexa. Mas as músicas dele são legais e eu também iria ao show não fosse o preço e o fato de eu não receber tão bem assim. Porém, se observarmos quantas pessoas de fato pensam ou fazem música em casa ou quantas pessoas fazem música do seu jeito, a coisa muda.
Não concordo com Adorno quando ele "demoniza" a música pop (aqui incluo rock, pop, reggae, dance, sertanejo universitário e etc). Mas concordo com ele que na música da época dele (e na nossa muito mais) o caráter subversivo, de fazer algo diferente, algo novo, se perdeu. Sempre achei triste quando alguém recusava ouvir uma peça atonal ou que fosse feita com ruídos sem nem ouví-la até o final. Não porque essa pessoa gostava de outro estilo de música, mas porque isso mostra que ela não quer ver além do seu mundinho. Nesse ponto, tenho que dar razão a Adorno.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Adorno e a regressão da audição

Esse foi o título da minha monografia. Mas para entender como Adorno chegou até esse conceito, precisa-se entender alguns termos marxistas importantes. Na sua análise do capitalismo, Karl Marx dizia que o ser humano está coisificado. Isso quer dizer que a pessoa é só uma coisa, uma simples máquina a serviço do capitalismo. Se o ser humano não der lucro, tira ele de lá. Pouco importa se ele tem sentimentos ou família. Mas para conseguir coisificar alguém é necessário aliená-lo, ou seja, fazer com que ele não perceba que é apenas uma coisa e assim continue trabalhando.
Para Adorno, uma das maneiras de se alienar alguém na sociedade do séc. XX é a utilização da Indústria Cultural. Um dos produtos oferecidos pela indústria cultural é a música. Como, segundo Adorno, o objetivo é alienar as pessoas, essas músicas são cada vez mais simples. Ou seja, nada de harmonias complexas, melodias estranhas ou músicas revolucionárias. Keep it simple esse é o lema! Respondendo então à questão que levantei no último post sobre música, Adorno diria que a música do U2 virou pop porque é simples, baseada em quatro acordes somente, enquanto a de Webern é muito complexa e não dá pra curtir.
Aliás, a sequencia de acordes da With or Without you é a mesma de um monte de outras como prova esse vídeo. Aí fica a questão, quem é louco? Webern por ajudar no desenvolvimento de uma maneira totalmente nova de se fazer música ou essas bandas todas que tocam a mesma coisa a muito tempo?

Escrevi esse artigo a pedido da Doro, espero que tenha conseguida passar uma ideia do que foi minha monografia.

No finalzinho!!!

Cheguei em casa desesperado, sai de Curitiba às 18 horas e o jogo do Coxa começava às 21! Quando cheguei em Blumenau era 21:45 e o ônibus para chegar em casa tinha saído! Tinha que esperar até às 22:20! Então beleza, fui comer na rodoviária (loucura né?) mas sempre pensando no Coxa... ainda mais que no final de semana ganhei a camisa 3 do Coritiba e ficava me perguntando "Será que posso  ir amanhã com ela pro trabalho???".
Comi, peguei o busão e vim pra casa. Quando chego o pessoal estava assistindo Discovery e eu não queria se o chato, mas... criei coragem e pedi para por na Sportv e... estavam passando o jogo do Figuera!!! Lógico, estou em Santa Catarina!!! Esse jogo é decisivo pro Coxa ser campeão, não pode perder!!! Mas... o narrador diz que o jogo está zero a zero, ufa... dos males o menor....
Fui tomar banho e já peguei o note pra ver o resultado, faltava pouco. Quando escuto o narrador "o Bahia fez um a zero" e eu já pensei "pronto, o Coxa é time de pijama mesmo, m@#$%!!". Mas aí ele falou que o Bill empatou pro Coxa no final!!! Aaaeeee!!!! Coxa líder e praticamente na série A de volta!!! E o melhor de tudo, amanhã vou poder mostrar a linda camisa 3 do Coxa!!!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Klangfarbenmelodie e a cultura pop

No início do séc. XX Anton Weber e Arnold Schoenberg desenvolveram uma técnica de composição que ficou conhecida como Klangfarbenmelodie. Um dos grandes exemplos desse estilo é o Concerto para nove instrumentos de Webern. Escute lá!
Ouviu? Espero que você tenha ouvido até o final, mas se não conseguiu leia esse texto pelo menos.
A ideia por trás dessa maneira de compor é que se deve preocupar com a textura da música, em outras palavras, com a 'cor' dela. Escute com atenção o segundo movimento e repare como Webern varia muito os instrumentos que tocam e como a tensão e o relaxamento na peça estão ligados aos instrumentos muito mais que a sequencia harmônica (aliás, essa peça é atonal e dodecafônica, mas isso não vem ao caso aqui).
Durante todo o século XX essa ideia de textura tomou conta da música. Como exemplo aconselho-te a parar um pouco de ler e ouvir essa música do U2 e depois voltar pra cá.
Ouviu? Então vamos lá... se você prestou atenção à música deve ter reparado que o baixo faz sempre a mesma coisa! São sempre as mesmas quatro notas e a harmonia não muda! Isso que o baixo faz chama-se ostinato. Mas o que faz essa música tão legal? A cor! Repare que no início a guitarra toca apenas pouquíssimas notas de cada vez e são sempre longas. Além de outros efeitos e a bateria tocando pianissimo. Mas após a primeira repetição do refrão a bateria fica mais forte e a guitarra toca acordes cheios. Além do Bono cantar notas mais altas. E assim a música vai, com a harmonia igual sempre mas a tensão e o relaxamento dela ligados aos instrumentos! Muito semelhante à música de Webern!
Mas o que fez U2 virar pop e Webern não? Isso foi tema da minha monografia e envolve muito mais coisa que não dá para explicar num texto de blog. O que eu gostaria é de te mostrar que muitas coisas que você considera estranhas e esquisitas fazem parte do teu dia-a-dia e você nem percebe! Pensa que é coisa de maluco mas "durch die Blumen" as pessoas já te convenceram de fazer as coisas!

Sobre a F1

A Fórmula 1 chega ao Brasil essa semana. Na disputa do título estão, em teoria, três pilotos. Mas na prática o título deve ficar com Alonso ou Weber. Mas para o torcedor brasileiro, o que mais deve irritar é ver Alonso disputando o título após o ocorrido na Alemanha. Para quem não sabe, Felipe Massa foi orientado pela Ferrari para deixar Alonso passar e vencer a corrida. Isso teoricamente é proibido. Mas vamos falar a verdade aqui entre nós...
Esse negócio de jogo de equipe na F1 existe a muito tempo. Inclusive Senna fazia isso com o austríaco Gerhard Berger. Mas sabe por que Berger não reclamava e se sujeitava? Porque ele sabia que Senna era muito melhor e mais rápido que ele.
Isso também ocorreu depois mais tarde com Rubinho e Schummy. Schummy era muito mais piloto que Barrichelo.
Agora com Alonso e Massa aconteceu o mesmo. Alonso conseguiu se adaptar melhor ao carro, andou mais rápido e tinha os melhores resultados. Nada mais normal para o mundo da F1 que ele tenha privilégios.
Eu só espero que para o ano que vem o Massa de fato comece em pé de igualdade com Alonso na Ferrari. Porque se não for assim, acho melhor o Massa ir para a Renault e "recomeçar" sua caminhada até um título mundial.