Queria comentar agora esse filme sobre o aspecto socio-político. Assim como muitos, também achei esse filme mais profundo do que o primeiro Tropa de Elite. Isso porque, se no primeiro filme retratava-se apenas a contradição de uma classe média brasileira que defende a paz e os pobres, mas financia o tráfego consumindo drogas, nesse adiciona-se ao caldo a classe política. Apenas não gostei dele ter sido lançado após as eleições, preferia que fosse antes para se discutir melhor o papel do poder legislativo no cenário político brasileiro.
Primeiramente, não acredito em político idealista em lugar algum do mundo. Todos eles se preocupam com a próxima eleição. Afinal, na visão deles, eles de quatro em quatro anos têm que se preocupar em continuar com seu emprego. Então, nada mais lógico que causar impacto para ganhar mais eleitores. A questão é: qual o preço do voto do cidadão?
No Brasil, para se ganhar votos basta construir alguma coisinha, dar a impressão que a pessoa pode comprar e consumir mais que se ganha votos. Se o candidato é honesto ou quais valores que ele defende pouco importa. Apenas crentes babacas é que de vez em quando falam em moral, mas aí é só esculhambar com eles que está tudo resolvido. É como no filme, o índice de criminalidade diminuiu e construi-se algumas quadras esportivas, então o deputado merece ser reeleito.
Outra coisa preocupante é que somos um país de quase 190 milhões de Tiricas. Afinal, quem sabe o que um deputado faz e qual sua influência no Brasil? Então vota-se em qualquer pessoa com um bom discurso e boa aparência. E se o cara fez algum favor pessoal, então ganha meu voto!
O filme termina com a frase "o inimigo agora é outro". Penso que o inimigo agora é o próprio povo brasileiro. Porque é ele que elege essas pessoas, é ele que abre mão de conhecer o que de fato se passa na política brasileira, é ele que aceita favores pessoais ou discursos prontos em troca de seu voto. Esse talvez devesse ser o inimigo a ser combatido.
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