terça-feira, 2 de novembro de 2010

Adorno e a regressão da audição

Esse foi o título da minha monografia. Mas para entender como Adorno chegou até esse conceito, precisa-se entender alguns termos marxistas importantes. Na sua análise do capitalismo, Karl Marx dizia que o ser humano está coisificado. Isso quer dizer que a pessoa é só uma coisa, uma simples máquina a serviço do capitalismo. Se o ser humano não der lucro, tira ele de lá. Pouco importa se ele tem sentimentos ou família. Mas para conseguir coisificar alguém é necessário aliená-lo, ou seja, fazer com que ele não perceba que é apenas uma coisa e assim continue trabalhando.
Para Adorno, uma das maneiras de se alienar alguém na sociedade do séc. XX é a utilização da Indústria Cultural. Um dos produtos oferecidos pela indústria cultural é a música. Como, segundo Adorno, o objetivo é alienar as pessoas, essas músicas são cada vez mais simples. Ou seja, nada de harmonias complexas, melodias estranhas ou músicas revolucionárias. Keep it simple esse é o lema! Respondendo então à questão que levantei no último post sobre música, Adorno diria que a música do U2 virou pop porque é simples, baseada em quatro acordes somente, enquanto a de Webern é muito complexa e não dá pra curtir.
Aliás, a sequencia de acordes da With or Without you é a mesma de um monte de outras como prova esse vídeo. Aí fica a questão, quem é louco? Webern por ajudar no desenvolvimento de uma maneira totalmente nova de se fazer música ou essas bandas todas que tocam a mesma coisa a muito tempo?

Escrevi esse artigo a pedido da Doro, espero que tenha conseguida passar uma ideia do que foi minha monografia.

2 comentários:

  1. Nem um nem o outro. Webern desenvolveu uma maneira de tocar música que poucos entendem (eu não entendo), mas isso não quer dizer que ele é louco. As bandas arrumaram um jeito fácil de fazer uma graninha (e em alguns poucos casos de passar alguma mensagem), mas isso também não quer dizer que sejam loucas.

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  2. Existe um .pdf disponível na internet para ler a monografia inteira?

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